quinta-feira, 22 de outubro de 2015

NA VIDA E NA ARTE: Charles Chaplin

"Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; alguém amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.Neste mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nesta coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível de encontrar: a amizade. Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa."

 A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. 

"Comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor-próprio. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo."
 Charles Chaplin

AINDA SOBRE TEATRO


"Teatro só faz sentido quando é uma tribuna livre onde se podem discutir até as últimas conseqüências os problemas do homem."

"Não faço teatro para o povo, mas faço teatro em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só para isso faço teatro."
Plínio Marcos




quinta-feira, 30 de julho de 2015

NA ARTE E NA VIDA: Oduvaldo Vianna Filho




Isso é um teatro. Aqui os homens se encontram e democratizam o grau de liberdade de cada um. Aqui os homens vêm discutir a liberdade que já conquistaram, vêm procurar caminhos para ampliá-la. Aqui o que comove é o sonho humano da gratuidade.



"Não estamos atrás de novidades. Estamos atrás de descobertas. Não somos profissionais do espanto. Para achar a água, é preciso descer terra adentro, encharcar-se no lodo. Mas há os que preferem olhar os céus e esperar pelas chuvas".


Oduvaldo Vianna Filho.





terça-feira, 30 de junho de 2015

NA ARTE E NA VIDA: Eugênio Kusnet


"O trabalho de teatro é um trabalho em equipe."


O ator através de seu comportamento físico, exterior, mostrando como o personagem come, dorme, anda, fala,  convence o espectador da realidade da vida interior do personagem: do que ele pensa, do que ele quer, do que ele sente, o que vale dizer: convence-o da realidade da vida do espírito humano. “As pessoas estão jantando, apenas estão jantando, mas exatamente nesta hora se forma a sua felicidade ou se arruínam suas vidas”. (Anton Tchekhov)

A ARTE DRAMÁTICA É A CAPACIDADE DE REPRESENTAR A VIDA DO ESPÍRITO HUMANO EM PÚBLICO E EM FORMA ESTÁTICA.

(...) Stanislavski e seus verdadeiros adeptos nunca fizeram objeção a nenhum estilo de teatro. Um dos maiores diretores de teatro soviético, Nicolai Okhlópkov quando duramente criticado pelos seus colegas de camada conservadora que o acusavam de estilização e modernismo exagerados, respondeu às acusações num artigo: “Que cada diretor  use o que achar conveniente e de acordo com seus princípios artísticos,contanto que  isso não somente não prejudique, como também ajude, coopere na realização do mais importante: a revelação do rico e complicado mundo interior  do homem. Do contrário o ator não terá nada que fazer e o diretor nada que procurar.” E depois: “ O espetáculo só se realiza quando consegue revelar este mar de idéias, emoções e desejos; e um mundo inteiro em cada gota desse mar”.

Eugênio Kusnet. Ator e Método. P.6














sexta-feira, 12 de junho de 2015

Stanislavski:sobre arte e o ator


"Ame a Arte que há em você.Não você na Arte."

O ator deve trabalhar a vida inteira, cultivar seu espírito, treinar sistematicamente os seus dons, desenvolver seu caráter; jamais deverá desesperar e nunca renunciar e este objetivo primordial: amar sua arte com todas as forças e amá-la sem egoísmo.

A disciplina férrea (...) é absolutamente necessária em qualquer atividade em grupo. (...) Isto se aplica sobre tudo à complexa atividade de uma representação teatral. (...) Sem disciplina, não pode existir a arte do teatro.

Para aqueles que não são capazes de crer, existem os ritos; para aqueles que não são capazes de inspirar respeito por si mesmos, existe a etiqueta; para aqueles que não se sabem vestir, existe a moda; para aqueles que não sabem criar, existem as convenções e os clichés. É por isso que os burocratas amam os cerimoniais; os padres, os ritos; os pequeno-burgueses, as conveniências sociais; os galanteadores, a moda; e os atores, as convenções teatrais, os estereótipos e um inteiro ritual de ações cênicas.
 "História de uma direção teatral" 








CONSTANTIN STANISLAVSKI

SOBRE TEATRO E ATOR EM GROTOWSKI



"O teatro pode existir sem figurinos nem cenários? Pode, sim senhor.Pode existir sem música de acompanhamento? Pode.Pode existir sem efeitos de luzes? Claro que pode.E sem texto? Também; a história do teatro confirma-o.[...]
Mas poderá o teatro existir sem atores? Não conheço nenhum exemplo disso. [...] Pode o teatro existir sem público? Em última análise, é necessário, pelo menos um espectador para fazer um espetáculo. Ficamos, pois, com o ator e o espectador. Logo, podemos definir o teatro como «aquilo que tem lugar entre espectador e ator".
(Grotowski, 1975: p. 29-30)

"A essência do teatro é o encontro. O homem que realiza um ato de auto-revelação é, por assim dizer, o que estabelece contato consigo mesmo. Quer dizer, um extremo confronto, sincero, disciplinado, preciso e total – não apenas um confronto com seus pensamentos, mas um encontro que envolve todo o seu ser, desde os instintos e seu inconsciente até o seu estado mais lúcido."

"Fazemos um jogo duplo de intelecto e instinto, pensamento e emoção; tentamos dividir-nos artificialmente em corpo e alma. Em nossa busca de liberação atingimos o caos biológico.Fazemos um jogo duplo de intelecto e instinto,..."

"A criatividade consiste em descobrir o desconhecido."

"O gesto é uma ação periférica do corpo, não nasce no interior do corpo, mas na periferia. Por exemplo, quando os camponeses cumprimentam as visitas, se são ainda ligados à vida tradicional, o movimento da mão começa dentro do corpo  e os da cidade assim . Este é o gesto. Ação é alguma coisa mais, porque nasce no interior do corpo. Quase sempre o gesto encontra-se na periferia, nas "caras", nesta parte das mãos, nos pés, pois os gestos muito freqüentemente não se originam na coluna vertebral. As ações, ao contrário, estão radicadas na coluna vertebral e habitam o corpo."


Jerzy Grotowski







NA ARTE E NA VIDA: Fernando Peixoto



“Nossa poética será fatalmente uma poética da violência. Vivemos num imenso país de sofrimento e opressão. Nossa arte precisa ser antes de tudo uma arma de libertação.”

“O teatro muitas vezes parece uma expressão em crise. Em certas épocas, quase perde o sentido;em outras, é perseguido; ora se refugia em pequenas salas escuras, ora sai para as ruas... Diversão e conhecimento, prazer e denúncia, emoção __ como definir o teatro, qual o seu significado social, suas perspectivas e tendências? E o que é fazer teatro”.

(...) A história do teatro é também a história das diferentes concepções  do trabalho do ator. O trabalho do ator pressupõe treinamento constante e aperfeiçoamento técnico, além da inteligência e sensibilidade atentas à observação da vida social, ao entendimento das relações  de produção e suas consequências  no cotidiano social dos homens. Um vigoroso treinamento físico, pois seu corpo é seu instrumento de trabalho. É um estudo constante, alimentado pela inquietação e desconfiança em relação ao que lhe é apresentado como conhecido ou definitivo. Pois a matéria prima de seu trabalho são os homens e a sociedade.
O que é teatro.
Fernando Peixoto


“Quando encenei Don Juan de Molière resolvi, num ímpeto, romper com tudo: retirar, inclusive, as poltronas do teatro, abolir a separação entre platéia e espetáculo, em termos de espaço pré-determinado. As cenas assim representadas onde houvesse espaço. O público se afastaria, e isto aconteceu, para permitir este espaço, se fosse necessário. Depois redescobri o potencial criativo do palco italiano. Na verdade, cada espetáculo deveria ter um espaço específico para si mesmo, que atenda às suas necessidades intrínsecas, sem qualquer tipo de imposição. O espaço teatral ideal, hoje, é o espaço vazio, com condições técnicas para se transformar, em pouco tempo, e com poucos recursos, em qualquer tipo de dispositivo cênico proposto pela livre concepção do espetáculo. O encenador, que hoje, censurado,trabalha inseguro e humilhado, em certo sentido, já começa condicionado pelos limites do espaço que dispõe ao ser alugada uma determinada sala. Mas esta liberdade não poderá ser confundida com a idéia de buscar uma linguagem isenta da contribuição do passado. A vanguarda pela vanguarda nada significa. Os saltos qualitativos surgem dos quantitativos. Um extraordinário pensador deste século já declarou: é preciso construir com os tijolos que existem, com os que nos deixaram. E Lênin se referia a construir uma sociedade nova!”
Fernando Peixoto